terça-feira, 11 de julho de 2017

ATN recebe VHL e Helicon na reserva da Faia Brava



No âmbito do projeto LIFE Club de Fincas, a ATN recebeu, na Reserva da Faia Brava, a visita de estudantes da Universidade Van Hall Larenstein Foresty Students (VHL) de 1 a 10 de Junho, e da Escola Técnico-Profissional Holandesa HELICON, do curso de Applied Ecology, de 13 a 19 de Junho. 


Durante a visita a VHL realizou um inventário florestal na Reserva da Faia Brava e pequenos trabalhos de investigação sobre diversos temas relacionados com a Natureza e a biodiversidade, como, por exemplo, a influência da qualidade de água na diversidade de anfíbios em charcos ou as diferenças na riqueza de espécies em áreas afetadas e não afetadas por incêndios. 

Por sua vez, a Helicon visitou o Vale do Côa para conhecer o trabalho realizado pela ATN, o património arqueológico (visita às gravuras) e as iniciativas empresariais que são compatíveis com a promoção da biodiversidade e o respeito pela natureza, nomeadamente o projeto de produção de azeite biológico do empreendedor Rui Torres. 

Na Reserva da Faia Brava, os alunos tiveram a oportunidade de, para além de conhecer a reserva, o projeto e as atividades em desenvolvimento para a conservação da sua biodiversidade, fazer observação de aves rupícolas e aprender sobre técnicas de monitorização como a foto-armadilhagem e transectos para realizar censos de coelho. Para além disso, puderam ainda realizar um inventário florestal, aprender sobre técnicas de maneio florestal preventivo para incêndios e visitar o viveiro florestal, uma iniciativa apoiada pelo Agrupamento de Escolas de Figueira de Castelo Rodrigo.

No final de ambas as visitas, ambas as instituições, fizeram apresentações e trocaram experiências/conhecimentos com os técnicos da ATN.

Estas ações que envolvem a colaboração com a comunidade educativa internacional são de extrema importância para a promoção de atividades de investigação científica na Reserva da Faia Brava e, ao mesmo tempo, para dinamizar a economia local e dar a conhecer a região. 


terça-feira, 27 de junho de 2017

Captura de britangos para colocação de transmissor com Lobomir Peske





Foram capturados, no passado dia 12 de Junho, no âmbito do projeto LIFE Rupis, dois Britangos (ou Abutres do Egipto, Neophron percnopterus), pela equipa da Associação Transumância e Natureza (ATN), em parceria com a Vulture Conservation Foundation (VCF) e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), no novo Alimentador de Aves Necrófagas de Escalhão, em Figueira de Castelo Rodrigo.  



A captura teve como objetivo a colocação de um transmissor GPS e a recolha de amostras para a vigilância de substâncias tóxicas e a avaliação do estado de saúde dos indivíduos. 


Estas ações estão incluídas no projeto LIFE Rupis, como forma de apoio à proteção da espécie e as mesmas permitem identificar ameaças, conhecer as rotas que utilizam, saber onde nidificam, onde se alimentam e, até, onde e porque morrem. 

A atividade de captura começou no dia 11 com a preparação da armadilha e durou até ao dia 22 de junho.
A armadilha utilizada pertence a Lobomir Peske, zoólogo da República Checa, que desenvolveu a sua própria técnica para conseguir capturar aves de grande porte.

A atividade combinou assim a experiência de Lobomir na captura de aves e a experiência da ATN com os Campos de Alimentação de Aves Necrófagas (CAAN), no caso Eduardo Realinho, biólogo da ATN, conseguindo assim, após algumas tentativas, capturar dois Britangos na mesma rede.
Depois de capturados, foram colocados os transmissores de GPS nos Britangos, pelo Lobomir e retiradas amostras para análises, por Núria Vallverdú, veterinária especialista em toxicologia da ATN.

A mesma atividade foi realizada em Março deste ano, no entanto, sem sucesso na captura.
Nos dias a seguir ainda foram feitas mais algumas tentativas nos Alimentadores de Aves Necrófagas de Escalhão e de Penedo de Durão, no entanto, sem resultados.
A atividade de captura terminou com a realização de um workshop de Colocação de Transmissores e Recolha de Amostras em Aves de Rapina, dado pelo Lobomir, no CERVAS. A organização do mesmo foi feita pela ATN e pelo VCF e contou com a participação de SPEA e da Palombar.






quarta-feira, 21 de junho de 2017

Contributo da Associação Transumância e Natureza para uma nova política florestal


Face aos trágicos acontecimentos, a ATN quer, antes de mais, exprimir a sua solidariedade para com os familiares das vítimas de Pedrógão Grande e com a população da área afetada.
 
Foto de Hugo Sousa Marques
Trata-se de um drama de proporções excecionais, no entanto, infelizmente, os fogos florestais estivais são uma problemática crónica no nosso país, que, para além de afetar regiões já fustigadas pelos dilemas sociais (êxodo rural, desemprego e outros), ano após ano, traduz-se numa diminuição da riqueza florestal, no empobrecimento dos solos e, consequentemente, na perda da biodiversidade. 
 
A ATN já sofreu bastante com incêndios de grandes proporções que devastaram as áreas que nos propomos a proteger. Ao longo dos anos fomos aperfeiçoando a nossa capacidade para mitigar as condições que permitem estes acontecimentos. 
 
Foto de Juan Carlos Muñoz
Com base na nossa experiência direta, ao longo dos anos, e considerando a complexidade social e territorial dos fogos, campanhas de Vigilância ativa, trabalho colaborativo na gestão da floresta e fomento de redes de contactos para a vigilância, dão resultados positivos na deteção e combate rápido de ignições.   

Estas, combinadas com ações de prevenção através da silvicultura preventiva, do pastoreio extensivo com grandes herbívoros em estado semisselvagem, da diversificação do coberto florestal, da promoção da descontinuidade do mosaico agroflorestal, da melhoria das linhas de água e do aumento da capacidade de retenção de água na paisagem, - que podem ser executados com recursos proporcionalmente reduzidos-, aumentam a resiliência e diminuem o risco e severidade dos incêndios. 
 
Consideramos que nesta altura são mais importantes os contributos das pessoas envolvidas diretamente nas dinâmicas das zonas rurais, que vivem e trabalham todos os dias nesta realidade, do que considerações teóricas distantes, onde não há contacto nem consciência concreta das situações. É fundamental, para além da presença ativa nos locais sensíveis, uma reflexão profunda sobre as causas que levaram a este desastre, nomeadamente os cobertos monoculturais contínuos de espécies pirófilas (no caso, o pinheiro e o eucalipto) e a renovação das políticas até agora aplicadas, para que as mesmas sejam realmente eficazes. 
 
Foto de Juan Carlos Muñoz
Nesse sentido, identificamos a necessidade de uma nova política florestal que invista numa floresta diversificada, resiliente ao fogo e caracterizada por espécies autóctones, disponibilizando recursos e meios para um ordenamento de território ativo; para a profissionalização e especialização dos principais atores envolvidos no combate direto e para o trabalho de proximidade contínuo com as comunidades locais. 


Foto de Hugo Sousa Marques