quarta-feira, 24 de maio de 2017

ATN Alimenta com sucesso aves necrófagas nos seus campos de alimentação



 

A Associação Transumância e Natureza (ATN), gere atualmente três Campos de Alimentação de Aves Necrófagas (CAAN) nos municípios de Figueira de Castelo Rodrigo (CAANs de Almofala e Escalhão) e Freixo de Espada à Cinta (CAAN do Penedo Durão), com participação ativa no desenvolvimento e implementação desta estratégia, bem como a monitorização e coleta de dados para estudar possíveis adaptações e demonstrar a sua eficácia.

A implementação desta estratégia já deu seus resultados nos CAANs de Almofala e Penedo Durão, que foram construídos nos anos 90 para mitigar as restrições sanitárias Europeias impostas após a crise da doença das vacas loucas, e que são atualmente geridos pela ATN. Vários casais de britango foram observados voando sobre estes alimentadores artificiais e alimentando-se, e no caso de Almofala, foram registradas sessões de alimentação nas que britangos, abutres-pretos, milhafres-reais e grifos se alimentaram simultaneamente (vídeo 1: CAAN Almofala). 


 Além disso, as sessões experimentais nestes dois alimentadores pré-existentes e os mais de 5 anos de experiência da equipa técnica da ATN na gestão de CAANs, têm permitido que a construção e estabelecimento do novo CAAN de Escalhão construído no âmbito do projeto Rupis seja um sucesso desde o primeiro dia. Vários britangos sobrevoavam o alimentador e pousaram para comer, logo na primeira sessão de alimentação em Escalhão. Durante a segunda sessão de alimentação, foram 6 indivíduos que pousaram para se alimentar no CAAN (vídeo 2: CAAN Escalhão). 



Por parte da ATN, estamos ansiosos para ver o que vai acontecer nas próximas sessões de alimentação nos CAANs do projeto Rupis, depois destes resultados promissores em termos de conservação, não só do britango mas também das outras aves necrófagas da região.

A gestão deste projeto surge no âmbito do Life Rupis, em que está a ser desenvolvida uma estratégia transfronteiriça de alimentação artificial através da Rede de campos de alimentação de aves necrófagas (CAAN) do Parque Natural do Douro Internacional e Parque Natural Arribes del Duero. Esta estratégia pretende implementar um programa de suplementação alimentar, com o objetivo de aumentar a produtividade dos casais de britango, que pode também adicionalmente aumentar a disponibilidade alimentar para o abutre-preto (Aegypius monachus) e o milhafre-real (Milvus milvus).
Na Europa, a população de britangos tem sofrido um declínio de cerca de 50% nos últimos 40 anos, e o estado de conservação para esta espécie está listado como "Em Perigo" quer em Espanha quer em Portugal. As principais ameaças a essa espécie são a redução de disponibilidade alimentar (por causa da redução do efetivo pecuário e das restrições sanitárias pela encefalopatia espongiforme bovina ou “doença das vacas loucas”), o uso ilegal de veneno, a perturbação dos locais de nidificação, a colisão com linhas elétricas e a electrocução. Apesar disso, as Zonas de Proteção Especial (ZPE) do Douro Internacional e Vale do Águeda e das Arribes del Duero abrangem uma população de 121 a 135 casais (ICNF/JCyL; dados de 2016), e constitui uma das mais importantes populações na Península Ibérica. 

Esta é precisamente a área de intervenção do projeto transfronteiriço ‘Life Rupis – Conservação do britango e da águia-perdigueira no vale do rio Douro’, que pretende reforçar as populações de britango e águia-perdigueira nesta região através da redução da sua mortalidade e do aumento do seu sucesso reprodutor. 

De todas as diferentes espécies de abutres que existem na Europa, o britango ou abutre-do-Egito (Neophron percnopterus), é o mais pequeno. Esta espécie, facilmente reconhecível pela sua plumagem branca e preta e a sua face amarela, pode ser vista na Península Ibérica a partir de finais de fevereiro. A sua reprodução é de março a setembro, nidificando em cavidades e plataformas rochosas em vales fluviais e montanhas. Durante o outono, migra para sul, e inverna na África subsaariana (foto 1: britango - no topo).



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Britango Rupis “pousou” na Faia Brava




Em julho do ano passado, o britango Rupis foi capturado e marcado com um emissor no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI). Este é o primeiro indivíduo marcado no âmbito do projeto Life Rupis, com o objetivo de identificar as áreas de alimentação, reprodução e hibernação, bem como de conhecer as rotas migratórias utilizados por esta espécie que hiberna em África.
Esses dispositivos também são úteis em caso de morte do indivíduo marcado, para conhecer a localização do corpo e as possíveis causas de morte. 
O Rupis iniciou a sua migração para o Sul no final de setembro, atravessou o deserto do Sahara em 10 dias e chegou ao Mali no início de novembro, escolhendo novamente uma área protegida - o Parque Nacional Boucle du Baoulé -, para passar o inverno. Depois do inverno, em finais de abril, o Rupis iniciou novamente e viajou quase 4000 km em 15 dias, para regressar ao PNDI. De acordo com a sua preferência por áreas naturais protegidas, o Rupis foi recentemente localizado na Reserva da Faia Brava, a primeira Área Protegida Privada de Portugal.







sexta-feira, 12 de maio de 2017

Construção de charcos na Faia Brava



  

Os Charcos Temporários Mediterrânicos constituem um dos mais notáveis e singulares habitats de água doce da Europa e são considerados um habitat prioritário pelo Anexo I da Directiva Habitats. Os charcos são reconhecidos como sendo de elevada importância ecológica, pois para além de terem um papel importante na conectividade com outros habitats de água doce, a diversidade de vida existente num charco temporário ou permanente é grande, sendo em muitos casos superior àquela que se encontra associada a lagoas permanentes ou cursos de água. Estes têm associados serviços de ecossistemas importantes tanto para os humanos como para toda a fauna e flora, sendo responsáveis por recolherem e armazenarem largas quantidades de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, amenizarem o efeito das cheias, manterem a humidade do solo em períodos secos, ajudarem igualmente na purificação da água e no abastecimento dos aquíferos subterrâneos. 


Uma das espécies que dependem da excelente qualidade destas massas de água é a cegonha-preta, um espécie classificada como estando vulnerável e outrora nidificante dentro da reserva Faia Brava. Dentro da ZPE- Vale do Côa, trabalhamos para promover o habitat de que esta espécie depende, promovendo um complexo de charcos que visam suprimir as necessidades alimentares que esta espécie tem e, dessa forma, esperamos que no futuro esta espécie volte a encontrar aqui o local ideal para o seu sucesso reprodutivo, longe da perturbação das actividades humanas.